*BLOG SOBRE ARTETERAPIA E EDUCAÇÃO*

SEBO ARILOQUE

SEBO ARILOQUE
Compre na Estante Virtual!

sexta-feira, 29 de julho de 2011

sábado, 4 de junho de 2011

RE-EMBRIÃO


Núcleo,
Semente,
Sê,
Nu,
Clemente!

Folhas, flores, fases,
Sementes, cascas, frases.

Fez vida quando viva,
Faz vida, quando revivida.
Na arte, na composição,
Na parte, na construção.
No fluxo mandálico da comunhão.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

ARTE E CIDADANIA: "FAZER" COM AS PRÓPRIAS MÃOS



Desde a Revolução Industrial Inglesa do século XVII aos tempos atuais, um dos principais problemas que vem se desenvolvendo ao longo dos últimos 400 anos é o do abandono do “fazer”. A cultura da produção de todo e qualquer tipo de produtos em larga escala, vem gradativamente, “tirando das mãos” do homem a capacidade do manuseio dos materiais com fins de criação, relegando esta tarefa às máquinas, que estão em frenético processo de transformação, sustentadas pelo avanço tecnológico. Paralelamente a este avanço, a sociedade trilhou seu caminho de adaptação a nova realidade da dinâmica econômica industrial que se espalhou pelo mundo, direcionando não somente seus sistemas sócio-políticos, mas o arcabouço sociocultural de diversas sociedades potencialmente diferentes, nesta direção. Desta forma, a educação, pilar fundamental para a formação dos indivíduos que constituem os membros condutores destas sociedades, adaptou-se a esta realidade e, na finalidade de atender o sistema, manteve o homem alinhado com a manutenção deste processo: ênfase no tecnicismo e valorização da educação voltada para os anseios do mercado.

O conceito de globalização, que propôs a integração econômica, política, social e cultural na chamada “aldeia global”, que uns entendem ter se iniciado na antiguidade com os impérios de Alexandre Magno, Romano ou Persa, passando pelos grandes descobrimentos na Idade Moderna e Imperialismo Europeu na Idade Contemporânea, foi retomado no inicio dos anos 90, impulsionado pela queda do muro de Berlim e a possível “vitória” do capitalismo, tendo como carro chefe o advento da internet (mais uma ressurreição tecnológica como “solução” para os anseios da humanidade). Ainda no começo desta década a sentença de Joseph Campbell de que “...a nossa tecnologia não vai nos salvar” (CAMPBELL; MOYERS, 1990, p. 9), apresentou um fator decisivo para a vida do homem que, ainda em constante apropriação e conhecimento das especificidades da própria cultura e identidade cultural, tivera que partir para uma concepção cultural geral do todo, embasada na junção de recortes referenciais de diversas origens, formando um ser fragmentário e repetidor, padrão este que persiste e se agrava, na adoção de uma cultura geral com base no consumo de produtos e serviços que “igualam” e a exotização da cultura local que “diferencia”.

A escola, que representa uma fração deste contexto (o que entendo como fração potencializada), cuja dificuldade de adaptação a sistemas educacionais que, mais do que formar técnicos, precisa formar pessoas humanizadas, criativas e atuantes, reflete potencialmente as fórmulas sociais. No Brasil, por exemplo, na escola pública, uma criança que, desde a educação infantil aprende a experimentar o mundo também pela arte, confeccionando e re-significando sua relação com o que assimilou, sobretudo pelos sentidos, aos poucos tem sua experiência empírica e sensorial reduzida à forma de expressão escrita, despotencializando seus possíveis talentos para algumas habilidades específicas (pintura, música, escultura, dentre outras), além de ter resumida na disciplina de educação artística, a partir dos 11 anos, na 5ª série ou 6o ano do Ensino Fundamental II, a  sua relação com o fazer. Este padrão persistirá assim até o 3o ano do Ensino Médio, com uma “colcha de retalhos” de técnicas esparsas e historia da arte. Um melhor poder aquisitivo de algumas famílias permite aulas de música, teatro, desenho, idiomas e afins, fora do ambiente escolar. Para os demais, sem acesso financeiro, restam os projetos sociais e culturais, cujas vagas ainda são mínimas em relação à demanda.

Desta forma, neste contexto apresentado, compreende-se a necessidade de uma nova abordagem do papel da arte no aprendizado do aluno, que se estenda qualitativamente por todo o período de sua formação escolar, desde a relação estabelecida com o material artístico, passando pela concepção do objeto, chegando à contemplação deste com a observação e a re-significação em suporte artístico, agregando assim, a construção de um novo significado como resultado. Assim se processa a construção de um conhecimento solidificado, adquirindo-se o capital cultural que permite a expansão da visão de mundo e uma atuação maior na autoconstrução cidadã. 

CAMPBELL, Joseph; MOYERS, Bill; FLOWERS, Betty Sue (org). O Poder do Mito, São Paulo: Palas Atena, 1990.

sábado, 2 de abril de 2011

ARTETERAPIA: DILEMAS ACADÊMICOS E IMPORTÂNCIA DA EXPERIÊNCIA

Mandalas: os monges constroem sistematicamente o que o vento levará em segundos
Nestes últimos anos em que me dedico a formação de arteterapeuta, tenho percebido que, assim como em outros campos de construção do saber (terapêutico ou não), esta profissão vem se solidificando e consolidando pelo diferencial que envolve teoria e prática, ao mesmo tempo em que algumas correntes caminham para uma auto-definição academicista compondo-se de argumentos para fazer prevalecer linhas e diretrizes, de acordo com a bandeira que carregam (sobretudo Psicologia Analítica com base em Carl G. Jung ou Gestalt). Alguns profissionais consolidados no "mercado" por suas pesquisas e desenvolvimento de trabalhos, posicionam-se de forma rígida diante de experimentações dos próprios colegas, criando aqueles velhos dilemas que são característicos em qualquer campo do saber que pretende se estabelecer, sobretudo nas discussões de teorias norteadoras e metodologias. E aquele jogo possibilitado pela experiência totalizante  está, com base na fluidez di pensamento oriental, novamente é colocado a serviço da máxima ocidentalista dos "recortes definidores".  Mas a ação independe disso. Justamente o que me chamou a atenção na arteterapia foi a ampla gama de possibilidades e abordagens, proporcionadas por uma mescla intertextual (sempre instigante) da arte, da pedagogia e dos percursos terapêuticos (terapia ocupacional, psicologia ou psiquiatria), que além de cumprir funções de (re)construção pessoal expressiva, ampliam os horizontes da consciência e permitem melhor desempenho do papel social daqueles indivíduos  que experienciam e vivenciam juntos o processo criativo.

Por Adriano C. Tardoque

quarta-feira, 23 de março de 2011

LUTHIER ROBERTO HOLZ: O BRASILEIRO DOS INSTRUMENTOS MEDIEVAIS E RENASCENTISTAS



No dia 22 de agosto de 2008, com os amigos Jon Itcaina e Marcos Laet, tive a oportunidade de visitar o Luthier Sr. Roberto Holz e conhecer algumas peças de sua bela coleção e instrumentos que confecciona. Seu excepcional trabalho tem como principal característica a manutenção da tradição artesanal da construção de instrumentos, sem fazer uso de tecnologia, tendo em mãos reproduções de ferramentas tipicas da Idade Média, que ele mesmo fabricou. A brilhante eficiência na reprodução de instrumentos musicais de sopro é viabilizada pelo profundo amor ao que faz (a trinta anos atrás, deixou a profissão de arquiteto aos 28 anos, para se dedicar a esta arte) e por sua incansável pesquisa de referencias em livros, gravuras, partituras e museus, pelo Brasil e pelo mundo. Fluente em seis idiomas, Holz já fez trabalhos para algumas das principais orquestras do mundo. Conhecedor profundo das estruturas e execuções musicais, não produz instrumentos para enfeitar ambientes ou paredes: seu trabalho é destinado a músicos que façam uso da peça com a sua finalidade fundamental que é a música.

FORTUNA - CANÇÕES LADINAS - SHOW EM 19/03/2011 - CENTRO DA CULTURA JUDAICA (SP)

A cantora Fortuna, em Paranapiacaba (200

Ontem, no Centro de Cultura Judaica, em São Paulo, tive a oportunidade de  apreciar  gratuitamente o show da cantora FORTUNA, interpretando as chamadas  CANÇÕES LADINAS: uma proposta de resgate da cultura e  das tradições do cancioneiro ladino (idioma dos judeus provenientes de Sefarad, a Espanha em hebraico). Foram músicas festivas, ritualísticas, românticas e alegres, com ritmos e melodias  que desfilavam pelas origens espanholas, árabes, ciganas e judaicas.  É inenarrável a força e o peso étnico em cada uma das canções, construídas com intensa pesquisa  e  dedicação aos ritmos do Mediterrâneo*, fruto da parceria da cantora com seus produtores Iacov Hillel e Lilian Sarkis e os músicos Cesar Assolant (guitarra flamenca), Roberto Angerosa (percussão), Daniel Cornejo (clarinete) e Gabriel Levy (acordeon). Simplesmente belo e valioso.

* Quando empreenderam a expulsão dos árabes em 1492, os reis católicos da Espanha,  Fernando de Aragão e Isabel de Castela,  perseguiram também os judeus que, como alternativa, se espalharam por toda a extensão do Mediterrâneo, influenciando as culturas por  onde passaram (Marrocos, Turquia, Balcãs, dentre outras regiões) . Segundo os estudos da filóloga  cubana Maria Rosa Menocal, no livro O Ornamento do Mundo, durante a Idade Média entre 782 e 1492, na Andaluzia, muçulmanos, judeus e cristãos viveram em uma cultura de tolerância, sob o domínio árabe.

Postagem original no: http://sonoropanegirico.blogspot.com

Por Adriano Tardoque